Restauração dentária: quando é preciso e quanto dura
Resposta rápida
- Restauração dentária é o procedimento que repõe a parte do dente perdida por cárie, fratura ou desgaste, devolvendo a forma e a função original.
- A resina composta, na cor do dente, é o material mais usado hoje para restaurações diretas, feitas numa única consulta.
- A durabilidade varia de alguns anos a mais de uma década, dependendo do tamanho da restauração, da região da boca e dos hábitos de quem usa os dentes.
Restauração dentária repõe a parte do dente que foi perdida, seja por cárie, fratura ou desgaste. O material usado preenche o espaço deixado, reconstruindo a forma para que o dente volte a mastigar e a encaixar com os vizinhos como antes.
Quando a restauração é indicada
A causa mais comum é a cárie: depois que o dentista remove o tecido comprometido, sobra uma cavidade que precisa ser preenchida, e é aí que entra a restauração. O artigo sobre cárie explica como esse processo de destruição do dente acontece antes de chegar nesse ponto.
Fraturas também pedem restauração, desde uma lasca pequena na borda de um dente da frente até uma quebra maior num molar depois de morder algo duro. O artigo sobre dente quebrado, trincado ou lascado detalha os diferentes graus de fratura e o que cada um exige. Restaurações antigas desgastadas, com infiltração nas bordas ou trincadas, também costumam ser trocadas antes que o problema por baixo delas avance.
Desgaste dentário por bruxismo é outro motivo comum, principalmente na superfície de mordida dos dentes de trás. Quando o desgaste já comprometeu boa parte da estrutura original, a restauração reconstrói o volume perdido e devolve o contato correto com o dente oposto durante a mastigação. Vale lembrar que, nesse caso, tratar só o resultado sem abordar a causa tende a desgastar a restauração nova do mesmo jeito que desgastou o dente original, por isso a avaliação do hábito de ranger ou apertar os dentes entra na conversa antes de qualquer restauração desse tipo.
Os materiais mais usados
A resina composta é hoje o material mais comum para restaurações diretas, feitas em uma única consulta. Ela é aplicada em camadas, moldada ainda mole no formato do dente e endurecida com uma luz específica, na cor que mais se aproxima do dente natural. Funciona bem para a maioria das cavidades de tamanho pequeno a médio.
Para cavidades maiores, quando resta pouca estrutura do dente original, o dentista pode indicar uma restauração indireta, feita em laboratório a partir de um molde e cimentada numa segunda consulta, ou uma coroa, que cobre o dente inteiro. A escolha entre restauração direta e indireta depende do tamanho da perda de estrutura, não de preferência estética isolada.
Materiais como amálgama, a antiga restauração metálica prateada, ainda existem em uso, principalmente em dentes já restaurados há muitos anos, mas caíram bastante de uso nas últimas décadas em favor da resina composta, que tem a vantagem estética de acompanhar a cor do dente. Trocar um amálgama antigo e funcional só porque ele é metálico não costuma ser necessário, a troca entra em pauta quando a restauração já mostra sinais de desgaste ou infiltração.
Quanto tempo uma restauração dura
Não existe um prazo único. Uma restauração pequena, numa região de menor força de mastigação, pode durar mais de dez anos sem problema. Uma restauração grande, num dente que recebe muita carga ao morder, ou numa pessoa com bruxismo não tratado, tende a desgastar ou trincar antes disso. Fatores que aceleram o desgaste incluem:
- hábito de apertar ou ranger os dentes, sem uso de placa de proteção
- higiene bucal insuficiente, que permite nova cárie se formar na borda da restauração
- mastigar objetos duros que não são alimento, como gelo, unha ou tampa de caneta
- tamanho da restauração, já que restaurações maiores têm mais chance de trincar sob a força da mastigação
O acompanhamento periódico com o dentista é o que permite identificar o desgaste no início, antes que a restauração falhe por completo e exponha o dente a uma nova cárie por baixo dela.
A posição do dente na boca também influencia a durabilidade. Restaurações em dentes da frente, que recebem menos força durante a mastigação, tendem a durar mais que restaurações em molares, que suportam a maior parte da carga ao morder. Isso não significa que uma restauração de molar seja malfeita se durar menos anos, é uma diferença esperada pela função de cada região da arcada.
Restauração e clareamento não combinam na mesma sessão
Vale saber, antes de qualquer restauração na região do sorriso, que resina composta não muda de cor com o clareamento dental. Se você planeja clarear os dentes, o ideal é fazer isso antes de qualquer restauração visível, para que o material seja escolhido na cor final já clareada. O artigo sobre clareamento dental explica por que essa ordem importa.
Cuidados depois de restaurar
Nas primeiras horas depois de uma restauração de resina, é comum sentir o dente um pouco diferente ao morder, porque a boca precisa se ajustar à nova forma. Se o desconforto persistir por mais de alguns dias, vale voltar ao consultório para um pequeno ajuste na altura da restauração. No dia a dia, a restauração é cuidada como qualquer outro dente: escovação, fio dental e atenção a sinais de desgaste ou sensibilidade nova.
Restaurações que ficam próximas à linha da gengiva merecem atenção extra na escovação, já que o acúmulo de placa bacteriana justo na borda entre o dente e o material é um dos pontos mais comuns onde uma nova cárie começa a se formar debaixo de uma restauração antiga.
Quando procurar um dentista
Procure avaliação se sentir dor ao mastigar num dente já restaurado, se surgir sensibilidade nova numa área com restauração antiga, se um pedaço da restauração lascar ou se soltar, ou se notar escurecimento na borda que sugere infiltração por baixo do material. Restaurações que falham silenciosamente, sem dor, ainda assim deixam espaço para uma nova cárie se instalar por baixo, e é por isso que a revisão periódica importa mesmo sem sintoma nenhum.
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Perguntas frequentes
Restauração dura para sempre?
Não. Toda restauração tem um tempo de vida útil, que varia conforme o tamanho, a posição na boca e os hábitos de mastigação. Trocar uma restauração desgastada faz parte do cuidado normal com os dentes ao longo dos anos.
Dá para saber se uma restauração precisa ser trocada?
Alguns sinais ajudam: sensibilidade nova no dente, uma borda áspera perceptível com a língua, escurecimento ao redor da restauração ou dor ao mastigar. O exame de rotina com o dentista também identifica desgaste antes que vire um problema maior.
Restauração grande enfraquece o dente?
Quanto maior a área restaurada, menos estrutura original do dente resta, e isso pode deixar o dente mais frágil contra impactos. Em restaurações muito extensas, o dentista pode indicar uma coroa em vez de uma restauração direta, para proteger o que sobrou do dente.
Restauração de resina muda de cor com o tempo?
Pode escurecer um pouco ao longo dos anos, principalmente nas bordas, por exposição a pigmentos de café, vinho ou outros alimentos. Esse escurecimento é um dos motivos pelos quais uma restauração antiga às vezes fica visível ao lado do dente natural.